Acabei de participar em São Paulo do encontro das empresas B da America Latina. Empresas B, ou B Corp, (www.sistemab.org) são as empresas que não pretendem ser as melhores do mundo mas sim as melhores PARA o mundo. Aquelas que procuram harmonizar as exigências financeiras, sociais e ambientais do mundo moderno. Aquelas que acreditam que uma empresa deve ser lucrativa, é claro, mas que a lucratividade não pode ser seu único objetivo, principalmente se este objetivo puramente financeiro provoca impactos negativos a níveis ambientais e sociais.

Trata-se de uma pequena revolução para o mundo empresarial. Talvez nem tão pequena assim de acordo com o Stephan Chambers, professor de economia da London School of Economics, que ressaltou a importância fundamental deste movimento global (x empresas certificadas B no mundo, 96 no Brasil, a Alaya sendo uma delas) numa época em que o capitalismo passa por crise grave de legitimidade. Pelo seu impacto negativo sobre o meio ambiente, pelas desigualdades crescentes que vem provocando e pela arrogância dos seus craques que acumulam riquezas simplesmente escandalosas, Chambers nos implorou, literalmente, com trêmulos na voz, a reformar o sistema por dentro, preservando seus trunfos (dinamismo, iniciativa, capacidade de fazer) e mudando seus graves defeitos (impactos negativos sociais e ambientais) e reforçando a noção do que se for acabar com o sistema, abre-se uma estrada livre para os populismos e extremismos de todo tipo que seriam um remédio pior do que a doença.

Essa conversa foi reforçada pela Luiza Trajano, formidável alma viva da Magazine Luiza, que insistiu com o papel de realização pessoal (e não apenas profissional) que uma empresa deve ter. Abrir espaço de criatividade, de autoconhecimento, de convivência, de tolerância, eis o papel digno de uma empresa do século XXI. E dizendo que os jovens talentos e os consumidores cada vez mais conscientes, procuram empresas que praticam de verdade esses valores de conscientização pessoal e coletiva.

Se for isso, o mundo deveria mudar rapidamente ao ponto dos entusiastas líderes do movimento B afirmarem que o objetivo é que não seja mais necessário ter um movimento como este, já que todas as empresas, para sobreviver, deverão praticar de verdade o tripé da sustentabilidade: financeiro, social, ambiental. O estado deve assumir seu papel e com força de lei, obrigar as empresas a apresentarem um balanço anual financeiro, social e ambiental.

O caminho é longo obviamente já que as forças em jogo não estão dispostas a abrir mão dos seus privilégios e que mudança cultural como esta é lenta por essência. Mas a mudança será comportamental e vem com força por partes dos jovens que já tem uma relação bem mais consciente com consumismo (veja o sucesso do blablacar), usam as redes sociais para denunciar qualquer tipo de abuso, e não comprariam produtos de uma empresa condenada por exploração de crianças, devastação da natureza ou discriminação racial ou sexual.

Isso me traz uma reflexão sobre o propósito de uma empresa e como juntar seus funcionários em torno de uma causa justa. Obviamente salário continua sendo uma motivação essencial para acordar todo dia. Mas as empresas B mostram o exemplo de que é preciso mais do que isso para atender os anseios de propósito dos jovens que chegam ao mercado de trabalho. Aprofundar os impactos positivos sociais e ambientais da empresa, não é apenas um marketing para acionistas se comprarem uma virgindade de sustentabilidade. É para que todos funcionários, em todos os escalões da empresa, possam se sentir com mais propósito ao dedicar muitas horas das suas vidas na empresa. Metas, vendas, EBITDA, market share sim. Mas também são urgentes outros critérios de performance. E os assuntos não faltam: oportunidade para negros e mulheres em posição de liderança com igualdade de salários, acessibilidade para portadores de deficiências, creche empresarial para as mães poderem voltar mais tranquilas ao trabalho após licença maternidade, controle de resíduos, plantio de árvores, campanhas de consumo consciente, estacionamento para bicicletas… A lista é infinita.

Quer experimentar os benefícios da sustentabilidade na tua empresa? Gostaria de vivenciar uma transformação pessoal e coletiva na tua equipe? Quer saber mais sobre como levar a tua empresa para os conceitos modernos de gestão?

Sou Jean-Claude Razel, idealizador do projeto ATHUE (Alaya Transformação Humana e Empresarial) e empresa B. Gostaria muito de aprofundar essa conversa com você. Entre em contato!